Ainda bem que aprecia o blogue Ala de Rei. Sem ter feito muito por isso, reparo que a sua leitura é, sobretudo, luso-brasileira.
Para lhe dizer a verdade, o que me espanta não é propriamente o número de visitas, mas, saber que este blogue tem o número de visitas que tem, dos dois lados do Atlântico, sem eu lhe dedicar espaço à divulgação de torneios e classificações e muito menos À análise de partidas, que é o mais frequente na maior parte dos blogues portugueses e também brasileiros.
Não estou arrependido disto e só lamento que, em Portugal e no Brasil, não haja (ainda) mais blogues e outros espaços como este. Não ando por aí a listar os mais mais vistos, mas gostaria de ter uma lista dos blogues de xadrez de referência, e aqui, meu caro, as opiniões dividem-se e muito. Porque, os blogues de referência ou tidos como tal, dedicam quase sempre grande espaço aos torneios e classifiações quando não mesmo à análise de partidas, que eu não pretendo incluir no Ala de Rei.
Meu caro, mais uma vez obrigado pelas suas amáveis palavras e continue a mandar, sempre que quiser, os textos que entender.
Com muito gosto e prazer, fizemos do blog/site Ala de Rei uma das nossas visitas diárias para acompanhar o desenvolvimento e as atividades da nossa modalidade do Xadrez.
Quero te parabenizar pelo expressivo número de visitas ora atingidos, 50.000 é um número merecedor da qualidade e presteza do mesmo.
Fizemos um levantamento no período de 02 de julho à 28 de julho, quando ocorreram 5.781 acessos no teu blog/site. Observamos que o mesmo se tornou mais internacional, pois os acessos via Portugal diminui de 44,17% para 42,48% sua participação geral.
No mesmo período os acessos via Brasil (2.131) superou os de Portugal (1.707) na quantidade de 424 visitas, o que indica que nesta velocidade o Brasil vai superar Portugal no dia 13 de setembro do corrente ano, pois estamos na razão de 16,31 mais visitas brasileiras por dia.
Receba nossos votos de continuidade neste sucesso alcançado.
De acordo com uma informação divulgada por Phil Innes, em rec.games.chess.misc, Kasparov e Karpov vão disputar um match de 12 partidas em Valência, Espanha. Servirá para homenagear o xadrez, tal como se joga actualmente, porque foi em Valência que apareceu a peça Dama [Rainha] no século XV e para comemorar o 25º aniversário do encontro para o título mundial entre ambos os campeões.
Kasparov e Karpov, Karpov e Kasparov, duas lendas do xadrez que mantiveram um duelo para além do desporto, de 1984 a 1990 no tempo em que nascia a perestroika, a glasnot era algo mais do que transparência e o Muro de Berlim caía sob o peso da Liberdade voltam a medir forças no tabuleiro de 21 a 24 de Setembro, em Valência. Um duelo de 12 partidas (4 semi-rápidas e 8 rápidas) que é uma homenagem ao xadrez tal como é jogado hoje em dia Valência fixou as regras do jogo nos princípios do séc. XV com a chegada da peça Dama [Rainha] que antes não existia e ao primeiro encontro para o título mundial entre estes dois míticos campeões. Em 1994, durante o último match disputado na cidade de Nova Iorque, Kaspov venceu por 2½-1½.
«Obama é como um jogador de xadrez a jogar em vários tabuleiros e começou o jogo com uma abertura pouco usual. Não discordo da opção. Se quer transmitir ao mundo islâmico a mensagem de que a América tem uma atitude aberta para dialogar e não está limitada a uma única opção, o confronto físico, o discurso pode ser muito útil. Mas, se se continuar convencido de que cada crise pode ser gerida com um discurso filosófico, ficará enredado nos problemas wilsonianos».
Henry Kissinger, antigo Secretário de Estado dos EUA, em entrevista ao Der Spiegel, citado pelo jornal diário ‘i’, da passada 4ª feira, 8/7.
A Comissão de Educação da Assembleia Legislativa (Ales) recebeu, na passada 2ª feira (6/7), o professor de Educação Física e coordenador do projecto ‘Xadrez Pedagógico’, Charles Moura Netto, para falar sobre a iniciativa implantada há dois anos na cidade de Santa Maria de Jetibá.
A Comissão quer enviar a proposta ao governador Paulo Hartung (PMDB) e ao secretário estadual de Educação, Haroldo Corrêa, para que o Espírito Santo seja o primeiro Estado da Federação a implementar um projecto que inclua o xadrez como disciplina da estrutura curricular básica das escolas públicas.
A deputada Luzia Toledo (PTB) avalizou a proposta. “Fiquei entusiasmada porque no torneio de xadrez realizado no município os alunos estavam com um comportamento fantástico, uma disciplina exemplar. Isso mexeu comigo e acho que podemos ter um torneio dessa modalidade no âmbito do Estado. Adoptei a iniciativa do professor Charles”, contou.
Para o palestrante, a modalidade desportiva é pouco aprofundada no Brasil, mas uma série de pesquisas, a primeira datada de 1891 e publicada por Alfred Binet, comprova que o xadrez é um instrumento de ensino lógico, lúdico, de manifestação artística que estimula o pensamento coeso e crítico.
“A condição de estar colocando para os alunos problemas que estimulam o senso crítico é muito importante para o desenvolvimento da inteligência, concentração e imaginação. Acredito que o xadrez é a arte de pensar. Você estimula a criança desde cedo a ter senso crítico, a pensar nos seus actos e nas consequências”, explica o professor.
O município de Santa Maria de Jetibá registou um crescimento de mais de 18%, depois da implantação do programa no município, na meta do Índice de Desenvolvimento Escolar Básico (Ideb), em várias disciplinas, incluindo Português e Matemática.
Lido no sítio da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo [Brasil]. Agradeço a Orlando Silvestre da FESMAX, esta informação.
A deputado Luzia Toledo enviou ao governador Paulo Hartung (PMDB), um projecto de lei que recebeu parecer de inconstitucionalidade na Comissão de Justiça e foi vetado por vício de competência. A proposição dispõe sobre a inclusão na grade escolar das escolas da rede pública do Estado de aulas de xadrez.
«O Ministério do Desporto já convidou o professor Charles Moura Netto a participar de um grupo de trabalho, em nível nacional, para preparar um projecto de criação de Xadrez Pedagógico para ser implantado em todo o País enquanto ferramenta desportiva, que desenvolve a inteligência e o raciocínio lógico, auxiliando, assim, no aprendizagem educacativa», finaliza Luzia Toledo.
Um dos factos que descobri quando comecei a aprender o meu ofício de neurocirurgião foi que os operadores de melhor técnica eram capazes de fixar, em esboços muitas vezes de notável qualidade artística, o que tinham acabado de executar na sala de operações. Um dia notei também que eu próprio guardava, numa memória visual de extraordinária precisão e colorido, as sequências, mais importantes das intervenções praticadas alguns dias antes. Nós, cirurgiões, vivemos da imagem e ela como que habita em nós em confortável simbiose.
Existem decerto, como já tenho apontado, alguns aspectos comuns ao ofício das artes e à prática cirúrgica, embora esta não use material descartável nem crie beleza. De facto, em ambos se aperfeiçoa a técnica pelo ensino e treino persistentes. Miguel Ângelo dizia ao seu discípulo António Mini: «Desenha António, desenha António, desenha e não percas tempo». Ambas são mediadas por instrumentos cuja manipulação é, a pouco e pouco, absorvida na fluência do movimento e quando a técnica é bem dominada, o instrumento parece desaparecer-nos da mão, já não existe mais pincel ou bisturi, mas apenas a tela ou o material biológico (no meu caso o cérebro) em que trabalhamos. Há por isso em ambas as actividades uma inevitável marca humana, os traços de uma construção artesanal, que muitas correntes das artes plásticas contemporâneas tendem a eliminar, também elas dominadas pelas novas tecnologias da imagem.
O conceito de experimentação nas artes plásticas não deve causar surpresa. O grande paisagista inglês Constable dizia que a arte era também uma ciência, na medida em que investigava as leis da natureza. Assim, por exemplo, a pintura paisagística seria um ramo da filosofia natural (assim se chamava a ciência até meados do século XIX) e as pinturas meras experiências.
Curiosamente, à medida que se vai investigando os mecanismos que permitem ao nosso cérebro apreciar as diferentes modalidades de expressão plástica, um ramo das neurociências a que se tem chamado neuroestética, chega-se à conclusão de que os pintores, como afirma Zeki, descobrem, sem dar por isso, princípios básicos do funcionamento cerebral. Já Leonardo da Vinci notara que o emparelhamento cromático mais agradável era o que reunia cores opostas. Hoje sabemos que as nossas células cerebrais (neurónios) que são estimuladas pelo vermelho, são inibidas pelo verde e vice-versa, e a mesma relação existe entre o azul e o amarelo e o branco e o preto.
É claro que o sentido da visão e a apreciação plástica estão indissociavelmente ligados. Uma das funções do aparelho visual é seleccionar, de uma informação que é muito vasta e continuamente em mutação, as imagens que o nosso cérebro “requisita” como indispensáveis num dado momento. Igualmente, a representação pictórica obriga a “sacrificar uns milhares de verdades aparentes” escolhendo apenas “a verdade” da sua experiência visual própria. É por isso possível dizer que o artista plástico não mente, nem finge, como o poeta de Fernando Pessoa, embora Leonardo chamasse à poesia a pintura cega e à pintura a poesia muda.
Não há dúvida que a Natureza nos dotou de um extraordinário equipamento sensorial para a apreciação das artes visuais. De facto, somos capazes de distinguir 500 graus diferentes de luminosidade e discriminamos sete milhões de gradações de cor. É na porção mais posterior do nosso cérebro, no chamado lobo occipital, que reside a chamada área visual primária. Que é uma espécie de central de correio que vai distribuindo informação por, pelo menos, 32 centros diferentes que ocupam mais de metade da área do nosso córtex cerebral, a chamada “massa cinzenta” que contém os neurónios.
A especialização do sistema visual é fascinante. Assim. Há áreas que distinguem objectos, diferenças de luminosidade, movimento ou profundidade, e outras dedicadas especificamente ao reconhecimento da face humana, que para lá de cumprir funções elementares como o comer ou respirar, é um instrumento indispensável na nossa relação com os outros, pois permite distinguir amigo de inimigo e, muita infinita paleta de expressões, revelar os sentimentos mais variados e contraditórios. Alguém calculou que existem 180 sorrisos anatomicamente diferentes e a dificuldade de os exprimir na tela já fora notada há séculos por Alberti, o inventor da perspectiva, no seu tratado Della pittura (1436). É para mim fascinante o tratamento que Francis Bacon deu ao retrato do Papa Inocêncio X, de Velásquez, numa transmutação fantasmática de uma das faces mais admiravelmente cinzeladas da pintura de todos os tempos.
A pintura explora técnicas e perspectivas que simultaneamente põem em jogo sistemas paralelos de percepção visual, cor, superfície, forma ou, como sucede na arte cinética, movimento. O exemplo mais ilustrativo são as esculturas de Alexander Calder, os chamados “mobiles”, compostos de elementos reduzidos às formas mais elementares, pintados de vermelho, branco, negro ou cinzento, que limitam a estimulação visual à percepção “pura” do movimento.
Muitas obras de arte contemporâneas – recordo, por exemplo, os admiráveis monocromáticos de Ângelo de Sousa e a pintura mais complexa, mas com uma marcada componente de redundância, de Vieira da Silva – nasceram das tentativas dos artistas para reduzir a complexidade da forma ao essencial ou, se quisermos, à verdade elementar tal como o nosso cérebro a percebe. O exemplo mais significativo é sem dúvida a pintura de Mondrian, levada à extrema depuração de linhas horizontais e verticais.
O que os neurocientistas reconhecem é que, quando bem sucedida, a arte intensifica ou aprofunda os conteúdos emocional, perceptual e cognitivo de experiências que ocorrem em muitos outros contextos não estéticos, incluindo a própria vida quotidiana. Não é propósito da arte (mesmo da impropriamente chamada “figurativa”) o retrato ou a representação fiel da realidade, mas sim ampliá-la, transcendê-la ou até mesmo distorcê-la. Esta é também a forma que a arte encontrou para conhecer a verdade e criar beleza e, embora a distinção deste continue a iludir-nos, o conceito de beleza é ainda o valor estético mais seguro. Por seu lado, os neurocientistas continuam a busca incessante para lhe apreender o sentido e revelar a sua intimidade biológica. Mas não seria melhor preservar-lhe o mistério?
Nota: Este texto foi baseado em parte no meu ensaio “As Faces de Arcimboldo”, publicado no livro Memória de Nova Iorque e Outros Ensaios, Gradiva, 2002.
Artigo do Prof. R. João Lobo Antunes retirado da revista TerritórioArtes, 2008, editado pela Direcção Geral das Artes, Programa Território Artes.
O Prémio Camões 2009 foi atribuído ao poeta cabo-verdiano Arménio Vieira. (à direita na foto).
Segundo a afirmação de Francisco Carapinha, radicado em S. Vicente (Cabo Verde), Arménio Vieira, «que também é um amante do xadrez», foi recentemente o director do torneio de semi-rápidas que se realizou na Cidade da Paria.
A manhã ensolarada desta sexta-feira foi perfeita para receber o patrono da 22ª Feira do Livro, Charles Kiefer. Às 10 horas ele compareceu no palco principal do evento, na Praça Getúlio Vargas. Minutos antes havia perdido, de forma arrasadora, uma partida de xadrez para o bibliotecário Jair Teves, da Biblioteca Municipal Elisa Gil Borowsky. Se isso servir de consolo ao patrono: Teves é um profissional, não é fácil vencê-lo no xadrez...